Exposição fotográfica Sonhando Acordado por Bob Wolfenson

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Comprei a edição de maio da revista FFWMAG (lembram que eu comentei sobre essa revista bacana aqui?) e nela contém, entre outras, uma matéria muito interessante sobre a exposição fotográfica Sonhando Acordado por Bob Wolfenson durante a mais recente São Paulo Fashion Week (SPFW).

Para celebrar os 20 anos da principal semana de moda do país, o fotógrafo Bob Wolfenson e o idealizador e diretor criativo do SPFW Paulo Borges elaboraram um projeto com 32 imagens representando os protagonistas desses 20 anos de semana e os grandes encontros que ajudaram a construir a trajetória da moda brasileira. É uma retrospectiva que mostra as relações que marcaram a história da moda brasileira até hoje.

As imagens do ensaio são lindas e muito bem elaboradas. Separei algumas imagens e histórias por trás delas, e você também pode acessar ao site do projeto para vê-lo completo: spfw.sonhandoacordado.com.br

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Paulo Borges

“Você tá sonhando, né?”, foi a pergunta em tom retórico que Paulo talvez mais tenha ouvido em 1995. E ele, de fato, estava mesmo. Depois que despertou para o mundo da moda em 1982, ano de seu début profissional como assistente de Regina Guerreiro, Paulo nunca mais conseguiria fechar os olhos sem pensar em fazer a moda ser assunto relevante na própria vida, no Brasil. Primeiro, sonhou com uma semana de desfiles com jovens criadores que despontavam naquele momento. Alexandre Herchcovitch, Walter Rodrigues, Fause Haten e tantos outros. “Não havia um compromisso com o mercado; apenas com a criação. Minha ideia era romper um ciclo da indústria da moda, que vivia um momento difícil.” Deu certo, o mercado se empolgou e o sonho ficou maior. Foram nove meses de gestação até junho de 1996, no lançamento do Calendário Oficial da Moda Brasileira, que em 2001 viraria São Paulo Fashion Week, promovendo grandes encontros, impulsionando a moda a olhar sempre para frente. E a seguir em frente. “Dizem que sou um visionário; visionário é a pessoa que sonha o tempo todo. Eu sonho e realizo o que sonhei. Sonho enquanto estou fazendo, e faço novamente. O que vem primeiro, o sonhar ou o fazer? Já não sei mais.”

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Lilian Pacce e Tufi Duek

Uma relação que foi se construindo nas entrevistas de backstage de desfiles. Das rosas latinas vestidas por Vera Fischer, em 1995, ao cangaço de Maria Bonita e Lampião, de 2001, a Forum lançou muitas modas no Brasil, avaliadas por Lilian a cada temporada. “Nunca senti que o Tufi tomasse qualquer comentário meu como algo pessoal”, acredita Lilian. O estilista concorda. “Ser criticado por uma pessoa como a Lilian sempre foi muito saudável. Ela sabe colocar análises com muita correção, então você consegue enxergar o lado construtivo, sem o viés pejorativo.” Da convivência assídua profissional acabou surgindo a amizade. Nos jantares fora do calendário das fashion weeks, uma condição nunca imposta, mas sempre respeitada: não se fala de trabalho à mesa.

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Marcelo Sommer | Luciana Curtis | Alex Atala

Marcelo era amigo de Henrique, que era namorado de Luciana. Luciana já era modelo, mas Marcelo pouco se importava: queria que seus companheiros de noite e risadas desfilassem suas coleções. Nisso, Alex, que era DJ e parceiro de festas, era muito bom. Num dia e num ano adiantado dos 1990, numa prova de roupa de Henrique na loja de Marcelo, o estilista olhou para o lado e se perguntou: por que essa pessoa linda não está desfilando para mim? Luciana, enfim, havia conquistado sua amizade. Desde então, o repertório lúdico de suas criações ganhou a inspiração nos olhos de gato da moça. Luciana Curtis virou amuleto de sorte e grande modelo; Alex Atala, o maior chef de cozinha do Brasil; Marcelo Sommer segue como a síntese da resistência ao sonho. Na moda, na vida.

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Flavia Pommianosky | Davi Ramos | Bob Wolfenson

A palavra stylist nem existia no dicionário fashion brasileiro. Foi trabalhando como produtores de moda que Flavia e Davi conheceram Bob. Colegas da revista Moda Brasil, no fim dos anos 1980, os stylists ainda levariam anos para se tornar inseparáveis. Bob lembra de uma foto dele ao lado de Flavia, “crianças”, e de como a assinatura dela com Davi trouxe, com a experiência, uma “construção complexa da imagem.” Flavia não esquece que seu primeiro editorial de moda aconteceu por meio das lentes de Bob. E Davi quase não se lembra mais que, naquela época, achava Flavia um pouco metida. Hoje, o stylist não passa um dia sem falar com a amiga. “A Flavia é forte e frágil ao mesmo tempo. Amo essa mulher.” Durante as décadas de convivência, Flavia acumula qualidades descobertas em Davi. O talento intuitivo e a criatividade são duas delas. O tempo também revelou aos stylists não só o que já se via comprovado na foto, mas o envolvimento que Bob tem com cada projeto, o que pode chegar até a pré-produção. “O Bob é uma excelente companhia para tudo.”

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Shirley Mallmann e Duda Molinos

Ele era o dono do camarim, uma única sala de onde comandava as belezas de todos os desfiles. Ela, uma diva platinada de olhos azuis. Era 1996, e ele só conseguia se perguntar que mulher era aquela, entrando no backstage de jeans, camiseta branca e tênis, que maquiaria tantas vezes em passarelas como as da Forum e Cia. Marítima e que veria pouco tempo depois nas fotos de Steven Meisel. Dois conterrâneos, um segundo o outro: “O que me encanta na Shirley, precursora da exaltação da modelo ‘bonita’ na moda brasileira, são as possibilidades”; “o Duda, ah, ele é carinhoso, é naturalmente carismático: é gaúcho”.

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Geanine Marques | Celso Kamura | Alexandre Herchcovitch

Celso Kamura sempre gostou de cortar e escovar os cabelos das clientes no salão. Mas também adorava criar penteados impossíveis para os eventos de cabelo da L’Oréal, no início dos anos 1990. Foi pedindo roupas emprestadas a Herchcovitch para complementar suas criações que o beauty artist conheceu o estilista. “Ele me convidou para trabalhar nos desfiles dele e me apresentou um novo mundo, o da moda.” A parceria, como todas as relações que dão certo com Alexandre, é longeva e propõe desafios. “Tudo é difícil, não é, Geanine?”, Celso lança a pergunta e o olhar cúmplice à musa do designer. Sim, e talvez essa seja a graça de tudo, desde aquele desfile do Phytoervas Fashion, em 1994, estreia de Geanine na passarela de Alexandre. Complexo, mas sem drama. “Nunca tive uma única discussão com ele”, lembra a modelo. “Tem coisas que são só nossas. Há 20 anos entro no fim do desfile de mãos dadas com a Geanine. Dependendo da maneira como aperto a mão dela, ela sabe o que estou sentindo.”

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